Situada a sudeste da cidade de Viseu, encontra-se a uma distância de, aproximadamente, três quilómetros da sede concelhia, a freguesia de Ranhados foi praticamente absorvida pelo crescimento da cidade, fazendo hoje, parte integrante da mesma, por força do Diário da República de 25/3/1999, embora detenha o pequeno território de área igual a 6,58km2. É limitada pelas freguesias de Coração de Jesus, Santa Maria, Repeses, São João de Lourosa e Rio de Loba.

 

Caracterização Demográfica/População: 3782.

De Ranatus a Ranhados

O Povoado

de Maria das Dores Almeida Henriques

Povoado muito antigo e de origens obscuras, aparece registado no texto das Inquirições de D. Afonso III, em 1258, com o nome de Ranatus. O Cadastro da População do Reino, de 1527, diz ter sido vila e sede de concelho, pertencente à Ordem de Malta. O mapa da divisão do território de Portugal anexo ao Decreto de 6 de Novembro de 1836, menciona os 22 concelhos da comarca de Viseu, entre os quais Ranhados. Em 1808 passou a ser uma das freguesias anexas à freguesia Ocidental de Viseu. Na divisão administrativa de 8 de Novembro de 1899, Ranhados é uma freguesia do concelho de Viseu. Desde 1999 que está integrada na área urbana na cidade.

 

Património

CRIPTO MEMÓRIA

 

de Paulo Celso Fernandes Monteiro

Ranhados é uma povoação antiquíssima cujas origens são desconhecidas. Por aqui passava uma velha via romana, da qual ainda persistem alguns troços de calçada em bom estado de conservação, bem como um pequeno pontão. A estrada fazia parte de uma complexa rede viária romana que passava em Viseu, fazendo dela um centro nevrálgico estratégico na Península do Império. Saindo desta cidade partia em direcção a Seia, pelas caldas de Alcafache e Espinho (concelho de Mangualde). Remonta ao século I da nossa Era, ao tempo do Imperador Cláudio, como afirma o Miliário encontrado em Espinho (Mangualde).

Imóvel de Interesse Público pelo Dec. nº 29/90, de 17 de Julho 1990, esta via possui dois troços, de largura semelhante, estendendo o seu curso serpentino pelas encostas, que lhe dão em alguns locais, uma pitoresca imagem de curvas ligeiramente inclinadas (1).

Todavia, a presença da epigrafia romana em terras de Ranhados surge também referenciada na obra Diálogos Moraes e Politicos de Manuel Botelho Ribeiro Pereira, escrita na primeira metade do século XVII e publicada em 1797.

O autor apresenta uma inscrição funerária que teria sido achada “(...) ahí a 3 tiros de bésta n´uma vinha de Miguel Madeira, a qual está sobre a porta do laggar d´esta propriedade (...)”, que transcreveu do seguinte modo, apresentando também uma hipótese de tradução: VALERIO REBVR ROAN. XVII PATER ET  MATER F.C. Segundo ele o seu significado seria “O pae e a mãe de Valerio Robur Roanan, que morreu de 17 annos lhe fiserão esta sepultura(...)”. Nesta mesma obra existe também a referência a um penedo talhado que estava à cabeceira da referida lápide. “(...) que devia o pae mandar fazer, ou para estar ao sol no inverno, ou hir ali chorar a morte do filho (...)” [Pereira: 1956, 12-16].

Após prospecção no terreno, não foi possível encontrar estas epígrafes bem como confirmar os dados ou sua localização, mas ao longo de 400 anos todo o território sofreu uma profunda transformação.

 

IGREJA PAROQUIAL

O nome medieval da povoação era Ranatus. Assim aparece escrito no texto das Inquisitiones de Dom Afonso III, de 1258. Era então de “homens herdadores” que pagavam de foro à Ordem de Cavalaria de S. João do Hospital de Jerusalém (mais tarde Ordem de Malta), a sexta parte do pão, vinho, linho e legumes cultivados, para que aquela milícia os protegesse.

Foi sede do concelho da mesma Ordem de Malta, com foral renovado por Dom Manuel I, mas extinto no século XIX. Ainda hoje perdura a antiga Casa da Câmara e ao lado, o edifício do Tribunal aplicado a casa da Fábrica da Igreja. Estes edifícios encontram-se muito mal conservados com evidentes sinais de degradação e adulterados.

A Irmandade de Nossa Senhora da Ouvida é de criação anterior, e segundo Alexandre Alves remonta ao século XV. No entanto a documentação existente no Arquivo distrital de Viseu, não nos permite esclarecer tal facto. Dos 25 fólios pertencentes à Irmandade, nenhum é do século XV ou XVI. No arquivo do Cabido da Sé de Viseu existe um livro denominado “Lista de Pagamentos das Cappelas e Parocchias ao Cabido da Sé de Vizeu” e datado de 1656. Nele se encontram diversos pagamentos feitos a António Dominguez, Bispo de Viseu, pelas diversas Irmandades da Diocese, nas quais se encontra a de Nossa Senhora da Ouvida.

A capelinha de Santa Eufémia é de origem medieval, tendo beneficiado de obras de remodelação no século XVI e seguintes. Do século XVI é o arco do cruzeiro, de volta redonda (que hoje se encontra decepado), com vestígios de toros corridos nas esquinas.

Segundo algumas informações orais recolhidas, esta capela possuía uma lápide com uma inscrição datada de 1553. Contudo, quando se visitou o lugar constatou-se que não existia nenhuma lápide, porque o proprietário [esta capela e o terreno envolvente, foram vendidos pela Junta de Freguesia a um particular que a transformou numa horta] vendeu diversas pedras que faziam parte do templo.

Em termos eclesiásticos, a paróquia de Ranhados foi criada em Dezembro de 1698 pelo Bispo Dom Jerónimo Soares, com sede na capela da Nossa Senhora da Ouvida, construída em 1656 pela respectiva Irmandade. Antes porém, estivera sediada na capela da Santa Eufémia do Olival, desde 1629, ano da sua aprovação eclesiástica.

Nesta capela, ao longo dos tempos ampliada e hoje igreja paroquial, existe um retábulo joanino de talha dourada na capela-mor, feito em 1734 - o altar do Sagrado Coração de Jesus. Existem ainda algumas imagens do século XVII, como são exemplo disso as de Stª. Eufémia, São Pedro e Nossa Senhora da Boa Morte. Digna de atenção é a pia da água benta, junto da porta lateral. Escavada num antigo capitel visigótico, é de proveniência desconhecida.

Neste templo foram localizadas outras inscrições que merecem o nosso destaque:

 

INSCRIÇÃO

Trata-se de uma tampa legendada de uma sepultura que se encontra no pavimento da igreja Paroquial. É uma inscrição de fácil leitura apesar de estar desgastada na parte direita, devido a assentar sobre os degraus que dão acesso ao altar, aonde ela se encontra. No entanto esta inscrição passa um pouco despercebida, porque fica tapada por um enorme tapete vermelho que ali está colocado.

A lápide é de granito fino, da região, tal como todo o pavimento. De toda a laje sepulcral, só a parte superior é que foi gravada pelo lapicida.

Comentário da inscrição

Trata-se de uma lápide sepulcral localizada no fim dos degraus que dão acesso ao altar. Encontra-se em bom estado de conservação, e nunca foi estudada. É de fácil leitura, apesar de estar um pouco desgastada na parte direita junto aos degraus que dão acesso ao altar. As letras encontram-se bem distribuídas na parte superior da lápide, tendo o texto um aspecto bastante homogéneo. A inscrição tem 6 linhas estando as primeiras 4 alinhadas pela letra que dá início ao texto - um S de Sepultura. As duas últimas linhas encontram-se 2 cm mais chegadas à esquerda e alinhadas por esta medida.

Algumas letras sofreram um desgaste acrescido e exemplo disso são o último O de ANTONIO que mal se consegue decifrar, e o O de ANNO.

Existe alguma pontuação ao longo do texto geralmente nas abreviaturas (PE.), mas também aparece a separar palavras (ROIZ . MESTRE) De notar, o encadeamento do D e do O  na primeira e quinta linha que é típico do século XVII, tal como as letras em capitais quadradas, muito perfeitas e alinhadas. Este encadeamento foi elaborado pelo gravador para dar uma certa beleza ao texto.

Na primeira linha da lápide ressalta a abreviatura típica de Sepultura, um S; o D e o O entrelaçados, e a abreviatura de padre, um P.E. Notamos igualmente o desgaste do O que já foi atrás referenciado. Na segunda encontramos os caracteres bem delineados, com espaços e tamanhos regulares. As terceira e quarta linhas revelam-nos a abreviatura de que em Q. Encontramos ainda duas letras inclusas - um D e um E. Na quinta, encontramos Dezembro abreviado em DEZBRO, e um novo encadeamento com as mesmas letras DO. Por fim na sexta deparamos com novo exemplo de letras inclusas - o DE, e a data apresenta um certo aspecto cursivo especialmente o algarismo 5.

António Roiz foi um conceituado homem de letras, mestre de gramática no Seminário Conciliar de Viseu. Foi dele que partiu a iniciativa da construção da igreja, sendo reitor da irmandade de Nossa Senhora da Ouvida.

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